O que eu descobri andando sozinha

Sobre estar só, o que você tem a compartilhar?

Não falo de estar em solidão, mas estar com você mesma. O que você gosta ou costuma fazer com você?

Olha, quem me conhece de pertinho e acompanhou todo meu processo de evolução pessoal (cof) sabe que eu era extremamente dependente das pessoas. TUDO o que eu fazia precisava ter alguém do lado, como uma fonte segura de que as coisas estariam bem, mesmo quando algo desse errado. Chegar sozinha na faculdade, na época do curso, era algo que me dava calafrios.

Até eu perceber que estava deixando de fazer determinadas coisas que eu queria muito por não ter alguém disponível para viver aquilo que EU desejava, passaram-se 23 anos! Não posso afirmar que sou uma mulher completamente independente e que ama fazer tudo sozinha. Companhia, principalmente de quem gostamos, torna tudo mais especial, mais interessante, mais delicioso de viver. Mas existem coisas que você somente saberá de fato como é, quando está disposta a curtir a sua própria companhia, sem interrupções alheias.

Sair sozinha foi deixando, aos poucos, de ser algo que me causava pânico. Aprendi a usar o transporte público e a me deslocar para todos os lugares que precisava ir, mas não ia antes por ter medo, preguiça ou me acomodar com quem já sabia o caminho, então eu não precisava prestar atenção. Fiquei mais atenta. Descobri novos caminhos, novos lugares, tive novas visões de lugares que eu já conhecia.

Resolvi fazer um curso que muito me interessou, mas ninguém que eu conhecia estava afim. Cogitei não incrementar minha prática, mas a contragosto do meu conformismo, não me limitei. O curso era ha 167 km de distância e durante 8 meses fui a todos os encontros, sozinha. O que ganhei, além do certificado e do conhecimento? Amigos! Conhecer pessoas, sair da zona de conforto a que eu me apegava, foi incrível, mesmo que assustador de início. Se eu tivesse feito o curso com uma amiga ou um grupo de amigas, provavelmente a abertura para conhecer novas pessoas não teria sido assim, porque seria mais fácil/cômodo estar no mesmo lugar, ao lado das mesmas pessoas. Fácil não é, mas é tão bom ver que você conseguiu algo novo!

Ir ao cinema sozinha deixou de ser incômodo. Confesso que as vezes sinto falta de ter alguém com quem comentar alguma coisa, mas estar completamente atenta e sem distrações ao filme que eu queria mesmo assistir tem seu valor! Almoçar, lanchar ou jantar sozinha em algum lugar ainda é um desafio, mas que aos poucos tem se tornado algo legal também.

Depois que comecei a namorar o Will e a viajar frequentemente ao Rio de Janeiro, tenho tido cada vez mais momentos comigo mesma. Como ele trabalha, passo boa parte do dia “sozinha” (leia-se sem ele, mas em casa a sogra sempre está presente também) e sempre invento de sair de casa. Ir ao shopping, cinema, conhecer novas partes do RJ… adoro viver isso! Já cheguei a, inclusive, apresentar lugares que ele não conhecia e me acho o máximo! kkkk

Parte de tudo isso, desse meu desejo pela minha companhia que só aumenta vem da minha curiosidade (meio tímida as vezes) e da busca por coisas para fazer, lugares para conhecer, experiências para viver. A internet nesse quesito ajuda bastante. O Instagram favorece muito essa busca. E se ele ou outra pessoa em outro lugar não pode/quer estar comigo em determinado momento, não tenho deixado (tanto) de fazer o que quero.

Recentemente (em outubro/15) fui a um show SOZINHA. Foi mega estranho, sério. Nunca havia ido sozinha a um show, cheguei a cogitar desistir… mas poxa. Eu não costumo sair tanto de casa, ir a milhares de shows, muito menos a show aleatório, de alguém ou uma banda que eu não goste tanto. Este show era da minha banda favorita da vida (LH, claro), uma banda que “acabou” (mesmo que de vez em quando apareça nos palcos para matar a saudade, o que eu AMO), só Deus saberia se teria outra oportunidade, então eu iria perder por não ter companhia? Antes do show foi meio incomodo porque não estar com alguém te limita em algumas coisas, mas fiz amizade com um pessoal que estava perto, um casal que quando saia trazia água pra mim (obrigada! rs) e que sempre perguntavam se eu estava sozinha e me achando meio ~louca por ter ido alone. Mas na hora do show, se tivesse alguém comigo eu nem teria conhecimento, porque fico meio absorta pela vibe, pelo momento. Voltar pra casa foi complicado porque nenhum taxi parava para mim, que estava #foreveralone, mas deu certo no final das contas. Faria de novo, com certeza. E depois da primeira vez, as outras são mais fáceis de lidar.

É engraçado que quando você começa a se permitir e a se conhecer enquanto está somente em sua própria companhia, a vida se abre de uma forma completamente nova! Existem situações que me dão ainda um pouco de preguiça ou medo, mas o novo sempre nos traz um estranhamento, né? A ideia da vez é de uma viagem sozinha. Não sei para onde, porque, para quê, quando ou se vai acontecer, mas tenho imaginado algo do tipo. Sem celular. É, porque estar sozinha, mas com o celular na mão direto, sem entrar em contato com você mesma, também atrapalha.

Há uma frase que resume tudo isso muito bem: “quando mudamos a forma de ver as coisas, as coisas simplesmente mudam”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s